sexta-feira, 29 de abril de 2011

Asas partidas


Recolher-se entre as memórias e deixar-se afagar pelo vento que impele  a continuarmos sempre alçando novos voos.

Sobre aspirações

Sobre a sombra de suas asas ele repousa tranquilo, no seu íntimo aspira o ardente desejo de  ser apenas humano.

Sobre mitos

A sereia que encanta por sua voz, fascina o simples pescador que deixa-se levar pela melodia de seu canto...o mito é a maneira alegórica que encontramos para expressar nossas fraquezas e nossos desejos contidos e escondidos...

Sobre nostalgia

Nostalgia é a saudade escondida num memória guardada no íntimo do nosso coração.

A velha

A velha olha o vazio
A velha contempla o nada
Fica remoendo memórias de um passado distante
A velha de bengala em riste aponta para o alto e questiona
o porquê do tempo deslizar tão sorrateiro pelas dobras de suas
rugas, a velha guarda consigo como um tesouro as memórias vivas
de sua juventude...

Precipícios da alma

Redenção

Abandonei meu passado de lágrimas e incompreensões.
Botei fogo na cidade fantasma que me aprisionava. Saí nu e descalço.
Não quero mais olhar pra trás; redimi-me de meus pecados.
O velho tempo terminou. Chegou à era da ressurreição.
É tempo de redenção.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sobre mudanças


mudo
mudança
mudei!
Calado. Extrovertido, ri. Chorei...
percebi que meu ciclo incompleto
e incompreendido da voltas num mundo que
outros vivem...é tão singelo quanto um frágil pássaro em meio ao furacão.
Sou metamorfose constante numa inconstância de turvos sentimentos.
Reinvento-me ao sabor e dessabor do tempo.mascara de vidro num mundo de titânio.
Andarilho, sim, num mundo mutável...apenas as sandálias nos pés e um ardente desejode encontrar e gladiar com meus monstros mitos.
De enfrentar o frio olhar de Hades. E sorrir das estripulias de
dionísio...
Vou abrir a caixa de pandora ….
e deixar escapar meus medos e anseios
esvaziar-me por inteiro
e do silêncio da noite cálida absorver-me
de tudo e de nada
porque a vida é um constante por vir

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A nossa Páscoa


Trago meu peito sangrando e meu coração inquieto, ando pelas ruas e já não me encontro, sozinho e incompreendido vivo de memórias. É difícil morrer, mas faz parte do ciclo da vida, morrer espiritualmente para ressuscitar novo e melhor.
A páscoa interior e difícil e por vezes atroz, não queremos nos desprender do nosso eu antigo, entregar-se ao algoz do nosso inconsciente é admitir nossas fraquezas, admitir o quanto somos falhos e inconstantes.
Ressuscitar é renovar-se, pedir perdão por aquilo que fomos ou que deixamos de ser, é nos reinventarmos novos e melhores. Abençoados todos os que conseguem transitar pela sua noite escura da fé e apesar de todo o sofrimento encontrar um sentido para viver. Nesse momento de angústia é importante desprender-se de si mesmo e questionar não “o que quero de mim?” Mas sim “o que Deus quer de mim?”
Nossa páscoa interior não é menos bonita, porque nos faz sofrer, pelo contrário ela é responsável pela pessoa melhor que nos tornaremos amanhã. Somos privilegiados por todo o ano poder viver a Páscoa de Cristo e conseqüentemente a nossa Páscoa, Páscoa é passagem do velho para o novo. Ao contrário do que muitos pensam não é a morte o principal acontecimento, mas a ressurreição,o renascer!
Mesmo com o coração sangrando e a inquietude da alma trago meus olhos serenos pois sei que depois de toda a angústia e o sofrimento haverá a ressurreição!
A todos uma boa semana de Pascoa!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A arte de ser feliz



Não preciso me drogar para ser um gênio;Não preciso ser um gênio para ser humano;Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.”
O segredo da felicidade está contido nas trivialidades de nossos dias, é preciso muito mais que inteligencia e sagacidade para percebe-la, é preciso ter olhos no coração, cada vez mais perdemos a capacidade de sentir, tornamo-nos indiferentes ás atrocidades cometidas por nosso semelhante.
É incrível como sabemos das barbáries que ocorrem no mundo, no entanto não nos sensibilizamos com ela, nos falta compaixão,é preciso ter misericórdia, pôr a miséria do outro em nosso coração ( miseri – córdia). Falta-nos justamente aquilo que mais nos orgulhamos de ter: humanidade, só quando deixarmos a apatia que nos envolve e nos aprisiona de lado é que entenderemos que felicidade só é possível quando nosso coração se encontra em paz e nossa consciência não nos assombra com a culpa de nossa indiferença e omissão. Só é feliz quem sabe se doar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Acordar os sentidos


Acordar os sentidos é perceber a chuva caindo no rosto misturando-se as lágrimas, é sentir-se só em meio a multidão e sufocar o grito entalado que insiste em sair...
Acordar os sentidos é perceber que apesar de toda a dor que possamos sentir , somos capazes de continuarmos vivendo. Uma amiga me disse que o que nos diferencia dos outros seres vivos -é justamente podemos ir e vir. De fato somos livres, porém ainda não aprendemos a lidar com esse dom!
Hoje nos prendemos ao tempo cronológico, dias, horas, meses, anos,porém como Octávio Paz constata: houve uma tempo em que o tempo não era sucessão, e sim um minar contínuo de um presente fixo onde o homem fazia parte, hoje no entanto o tempo passa insensível e inacessível ao homem que tornou-se prisioneiro do relógio.
Vivemos numa era de mudanças onde o tempo e espaço tomam formas inconsistentes, o homem dominou o fogo, foi a lua, criou a inteligência artificial, porém no seu âmago continua o desejo reprimido de encontrar alguem. “o homem é a nostalgia e a constante busca de comunhão”.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O ônibus



O ônibus


No ônibus encontramos o que uma metrópole tem de melhor: Gente!A massa, sim porque é da base que se constroem os grandes pólos urbanos. Sentada num banco uma senhora com expressão forte,o rusto com rugas marcam a trajetória de uma longa vida de trabalho árduo e sofrido, o estudante faz malabarismo em pé para ler seu livro com uma mão, ignorando os solavancos do ônibus, o operário conversa animado com seu colega do lado sem preocupar-se com o dia extenuante de trabalho, a criança não tem nem cinco anos e dorme no colo da mãe, alheia a toda a confusão a sua volta.

No ônibus percebemos em cada pessoa um universo, um mundo único e particular, todos interligados por uma linha tênue quase imperceptível, a vontade de continuar a viver, e a vida é uma batalha difícil que exige muito mais que vontade e dedicação, é preciso resiliência para continuar,são sobreviventes, a despeito de todas as adversidades que enfrentam,mantem no rosto um sorriso sincero e no olhar aquele brilho próprio de quem tem esperança em dias melhores.

São os heróis anônimos do cotidiano, e todos os dias fazem-se presentes, compondo a parte viva e pulsante da cidade, é essa gente que dá cor a Babilônia cinzenta com seus prédios imponentes e suas construções megalomaníacas,não passa de uma carcaça fria triste, não fosse esse retalhos de diversas pessoas que se interligam e conspiram ( respirar junto) numa perfeita desordem organizada, uma paradoxo daquilo que a razão não explicar, e que é preciso sentir e viver para compreender.

Nas sombras do tempo




Nas sombras do tempo


Escondem-se nas sombras do tempo

resquícios de vidas, momentos de pura nostalgia...

incompletos pensamentos tecem-se dissonantes

é que a memoria já não é a mesma...

velhice? Não! Cansaço.


Dos momentos restaram a saudade

da caminhada restou os passos

do trabalho as mãos calejadas,

somos a soma de memórias daquilo

que vivemos.

Somos as sobras de tudo que

fizemos.


Peregrinos do tempo,

errantes viandantes,

nos perdemos no vão da

linha tênue que é a vida.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Bem me quer, mal me quer...




A menina/mulher já não quer mais amar

seu sorriso escondeu-se atrás de um lagrima,

ela brinca de bem me quer, mal me quer

com os pedaços de seu coração.

E eu, eu observo os fragmentos vivos

de seus sentimentos mortos e enterrados

nos recônditos obscuros de sua alma.

Será que esqueceu-se de se perdoar?

Ou simplesmente esqueceu como se ama?

A menina/mulher não quer mais sofrer, não quer

mais chorar, e na fugaz lembrança de seu sorriso

me deixo levar pelas memórias românticas

e divago feito Dom Quixote digladiando com

seus moinhos de ventos.

Menina/mulher não esquece; somos humanos

e os sentimentos estão entranhados em nossos poros ,

é inevitável fugir, vivemos para amar e amamos para viver.

Essa é nossa bênção e maldição, o amor é um paradoxo, e

por mais que o evitemos um dia ele nos encontra!



quinta-feira, 7 de abril de 2011

Das Lembranças

Hoje o cansaço toma conta do meu corpo,

e minha alma exala saudades.

Fico ruminando memórias póstumas,

lembranças de lugares e pessoas

que em algum momento perderam-se de mim.

Sou parte saudade e parte solidão.

Num átimo de segundo transgrido o tempo

e refaço caminhos outrora esquecidos.

Percebo nas vicissitudes de meu eu contrito

intrínsecos desejos de mudança, e que apesar de

tudo o que já vivi ainda restam arestas a serem

aparadas.